Abocanha-me

Faça de mim teu pão.
Devora-me da casca ao bagaço.
É inerente ao humano
A eterna consumação.

Prova-me do néctar
Prova-me do talo ao sumo
Até que perca o rumo
Na degustação.

Vampiriza-me o sangue
Beba-me o pus e o suor
Da saliva ao plasma
Deixa-me exangue.

Sorva do que encontrar em mim
Ingira-me até o fim.

Degluta ao limite máximo
Dessa insólita iguaria
Antropofagia,
Mesmo que tardia.

Abocanha-me.