Verdade?

Um mínimo de sinceridade ao observar a vida e não mais nos permitimos falar em verdades absolutas. Vejo pessoas ultimamente fundamentando suas escolhas e modos de vida (nem sempre determinados por si mesmos), numa pretensa verdade e em um questionável senso de certo e errado. Tempos estes os nossos, que as pessoas aceitam qualquer preço para ver seus caprichos realizados. Gente que se sente no direito de “cagar na mesa do restaurante ” se der na telha, pelo simples fato de estar pagando. Gente que horrorizada com o comportamento de um delinquente ou de um homossexual,  de um transsexual, ou a mera aparência de um negro portando dreadlocks na rua às 02:00, outorga à polícia o direito de execução dos indesejáveis,  dentro de uma idéia europeizada de beleza e valores. Temos gente querendo a morte de tudo que lhe é diferente. Essa gente defende que não teria problema se morressem alguns pobres, por quê o mundo já está cheio de gente mesmo, e pobre que só sabe fazer filho, e logo estaria tudo do jeito de antes. Gente que acha o comunismo um absurdo,  mas se pintar um esquema bom, seja ele com o benefício que for, está dentro sem pestanejar,  e quer que tudo seja dividido por igual, afinal, é o justo.

Estamos vivendo um momento onde todos acreditam ser detentores da verdade mas cada um pensa de uma maneira, e quer impor ao outro a própria verdade.  E qual o modo de fazer isso? Majoritariamente através da religião. Você é pecador, você é imoral, você é desajustado, com base nos valores tradicionais estabelecidos pelos livros sagrados,  e não por uma avaliação idônea. Quando não,  o outro justifica a violação de sua liberdade,  com base em seu ramo de pesquisas, sua ideologia política e acadêmica. Todos querem demonstrar ter “um pau maior”, seja no conhecimento,  na piedade do comportamento,  ou no tamanho do carro ou conta corrente. Quando nada disso pesa para você acatar ao outro, o tamanho e a potência do muque também falam alto na argumentação.

Vivemos tempos inóspitos. Sem esperança de abertura mental de curto prazo.  Lidamos com as tacanhas convicções e crenças, mesmo sendo elas visivelmente anacrônicas ao momento atual do desenvolvimento tecnológico e científico. Não que estes conhecimentos não sejam também questionáveis e falhos em muitos momentos, ou sejam mais verdadeiros ou melhores que as primeiras premissas,  mas aprendemos na contemporaneidade,  mais do nunca, a hipocritamente defender a tradição e agir diametralmente opostos a ela, por mera conveniência.

Poderia me alongar em exemplos cotidianos de incoerências dos indivíduos ante seu próprio discurso.  Mas cada um de nós pode observar diariamente exemplos disso.

Diante do ora exposto, só me permito dizer, que a verdade,  investigo. Dela muito pouco sei ou tenho notícias. Assim sendo, evito cada dia mais os modelos engessados de poder, de comportamento e de autoridade. Que venha a vida como ela for, e não como eu a queira.