Enfarte

O que restará de mim
Depois de tantas dores?
Quanto amor, de fato,
Nos amores?
Por que tanta escuridão
Mesmo havendo
Tantas cores.
Por que o amargo de minha’lma
Veio à tona desde cedo?
Esse azedume, será coisa
outra que não medo?
Todas as estas crenças pias,
Serão mesmo, engano ledo?
Sufoca-me a incerteza
Dos meus dias
No afã de prazeres, riquezas
E honrarias,
Submetêmo-nos às mais atrozes dores
Por migalhas e centelhas de alegrias.
Insana e lancinante agonia
Simpática liberdade do decesso
Ainda que tardia,
Orna de sentido esta longa travessia
Torna-me forte ante a luta
Embora diante de tanta força bruta,
Brisa leve, resiste suavemente a enorme lufa
Faz de mim estandarte,
De oposição ao torpe impulso
Visto por toda a parte
Tempera-me, ó vida,
De calma, postergando o iminente
Enfarte.
(Lucas Lima)