Tépida

​Tolamente eu cri em sonhos

E tentei torná-los vivos,

Resta-me tão somente o agouro

De um suplicio

Anunciado e vindouro.
Nada como o penar

Que permeia os dias de vida

Sorrateiro e duradouro,

Inflamando de escaras

Meu couro.
Percebo-te perto e distante

Neste amor que se oculta no medo
Aurora dos últimos dias

De um ocaso que chega mais cedo.
Desejo-te linda e quieta

Sua pele branca e tépida.
Morremos mesmo em vida

Nessa rota rumo à partida.