Zênite

Tolos dias
De fruição frívola.

Tempo decorrido

Discorrendo

Aleatoriamente

Sobre abissais 

Desejos.

Ou promiscuosamente

Interagindo

No intuito

De profanar 

As mais sagradas 

relações de afeto.

Dias absurdos,

Dias que nos fazem 

Sentir vivos!

Dias na contramão

Da nova ordem

Que nos prega

Retidão e obediência

Prazeres mundanos

Tão deliciosamente

Revolucionários…

Tolos dias 

De doenças libidinosas

Na partilha das carnes

E das idéias

Onde não restringimos

A direção de nosso jorro

O prazer inesperado

Do que outrora

Era pecado

Nos faz rir 

Ante a finitude 

Dos nossos dias

Ante a importância

Tola que damos

A nós mesmos.

Ahhh

Quem dera eu pudesse

Me perder em 

Levianos prazeres frívolos

Do primeiro choro

Ao último suspiro.

Ahhh como eu quero

O teu desejo

Como quero o que 

Todos querem:

Sua alma exposta

No interfluxo 

Dos insumos

Oriundos dos

Negligentes corpos.

Dos desejos mais

Sombrios e torpes

Irrompe-se o amor

Que aqui nos deixa

Pelo máximo tempo 

Que se possa.

Que faz da existência

Mais próxima ao zênite,

Uma epopéia ricamente

Ornada de sentido.
Adiante!