Alcova

Alcova
Convulsionada alma

Resta tão pouco

Para transbordares…

Ardentemente desejo

O lenitivo para estes males

Por outro lado

Vez ou outra,

Apenas observo

O caos em que me encontro

E o aceito, contemplando

A trágica beleza de estar vivo

Faço tudo o que creio 

Que deva ser feito,

Falta pouco tempo

Temos tão pouco tempo…

Em um lance de dados 

Tudo deixa de estar como está

Mas eu estou sozinho

Em mim mesmo

Mesmo com tanta gente em volta

Meu mundo não é convidativo

E por mais que frequentes

Meu jardim e meu quintal

Em minha alcova,

Somente eu me deito

Somente eu deleito

Dos prazeres deletérios

De mim mesmo

Dessa coisa precária

E suja de ser eu.