Renaître

O abismo se abriu
Como opção derradeira
E saltei.
No vôo,
Avistei as mais belas paisagens
O vento
Soprava meu rosto
Aliviando
O sol inclemente
Do dia.
Abri meus braços
Vivi
A existência
Em poucos segundos
Amei
Quem não havia amado
Perdoei
A quem não
Não dei perdão
Roguei a quem
Eu tenha ofendido
Alguma compaixão.
Senti meu corpo adentrar
As frias águas do esquecimento.
Atravessei a nado
Um mar de novas aspiraçoes.
Desejei ardentemente
Viver para ser diferente
Emergi sob a noite
E o luar
Nas margens
Despido
Adormeci
Hoje guardo
Do abismo
O que nunca
Venci
Salto no escuro
Quando quero
Galgar
Um nivel
De vida
Que me é salutar
Aproxima-se
O climax
Da derradeira existência
Retomar em mim mesmo
O poder e a ciência
Exercer meu conatus
E saberes inatos.