Verdade

Verdade

Há um suicídio
Nas palavras sinceras.
Elas quando ditas,
Aguardam o sedento verdugo.
Ligeiramente torcem
Pelo golpe duro e rápido
Da lâmina opinativa.
Quando dizemos o que
Julgamos sentir,
Ansiamos pela morte
Por temer o massacre
E o pisoteio das gentes
Que odeiam
Quem pretende
Dizer suas verdades.
Quando decido expressar-me,
Visto-me de algo
Achando ser eu.
Mas que me parece
A intermitência
Da minha existência,
E algo que me seja outro.
Aquilo que julgo verdadeiro
Nada mais é, que discurso.
Irreal, incompleto,
Obtuso e frágil.
Assim como qualquer outra
Coisa que ouço de mim
Ou de outrem.
Desconstruo dia a dia
Tudo que creio.
Sequer sei se creio
No que acho que creio…
Quão patética é a advocacia
De nossas idéias!
Quando impavidamente
As defendemos,
Às vezes, parece deboche
O arroubo e o inflamar dos discursos.
Quão falsa é a defesa da verdade
E a legítima defesa dos bons propósitos?!?
Quanto melhores as intenções
Piores as encenações e fragilidades
Das afirmações.
Quem tem intenções que julgamos
Ruins,
Se esmera na construção de seus
Textos.
Calcula um objeto e seu objetivo
Projeta os ganhos e perdas
O sincero, Ah, o sincero…
Ele está tão crente de sua
Verdade,
Ele está tão imbuído de
Seus propósitos,
Que atropela a tudo e a todos
Em troca da glória
De ser reconhecido
Por sua verdade,
Não raro,
Válida para todos os entes.

Atualmente,
A suspensão dos juízos
Me parece o juízo
Mais pertinente.
Restam-me os dias.
Resta-me ver e ouvir
E rir
De minhas tolas idiossincrasias.
E o esforço,
Quase vão,
De não repeti-las.
Vivê-los
(Os dias)
Hoje,
Me parece
Um grande trabalho.
Desisto, por escrito,
De toda a verdade!
Apenas existo,
Me sinto em uma
Semi vacuidade.
Ando, logo existo.

Apenas.