A morte é doce

(Minhas apologias aos delírios oníricos do Rolfsen)

Diante dos males
Do mundo
Uma notícia
Vinda do reino
Dos sonhos
Me tranquiliza.
Um amigo
Em onírico transe,
Quase saudoso,
Nos traz
A notícia,
De que
É doce
A morte
E que o
Seu veneno
No bote
Que crava-se
Em nós,
Escorre e
Paraliza
Restando
Olhar
A luta infecunda
Dos outros
Pela salvação.
Mas quando
Acordamos
E vemos
Que o véu
Obscurescente,
Singelamente,
Se esvai
E desvela-se
O saber de que
A vida
E a morte
Estão dos dois lados
E que uma e outra
São o que
Achamos que são.
E que no fundo
É tudo igual.
Resta-me apenas
Sorver desta frase
Que soa mais bela
Do que realmente
De fato ela é,
A morte é doce.
A morte é doce e
Seu veneno escorre
Nos lábios,

Até tudo se acabar.

Lucas Lima