Abismo

Quantos eus
Morreram,
Pra surgir
O eu
Do que
Eu sou
Agora?
Quantos sins
E nãos ouvi
Para dizer
O que
Hoje digo,
Muito
Embora
Houvera
Eu também
Falado
Pra que agora
Ouça
E seja
Muitas vezes
Acossado?
Quantas
Lágrimas
Correram-me
Na face
E quantas outras
Se calaram
Ante o
Absurdo de
Estar vivo?
Eu não sei
Dizer-te quantas…
Paa ser sincero
Sei
Cada dia menos
A respeito
De mim mesmo.
Para meu punhado
De certezas
Foi entregue
Uma hecatombe.
E no solo
Onde elas jazem
Nascem
Flores de perguntas
Cada fruto
Que mastigo,
Faz
Crescer a fome
Do conhecimento
Que não chega
Nunca a ter um
Termo.
Alimenta-me a
Dúvida
Saúdo, amigo
Essa calma
Turbulência.
O saber
É um grande
Abismo
Que não acha-se
O final.

Lucas Lima