Carnaval

O vômito é real.
Assim como
Minha cara na calçada.
Acordei lavado
De sangue.
Meio tonto
Só lembrava
De me passar
por gringo
Na noite passada.
Sem telefone
Ou carteira,
4 reais foram dados
Por piedade
Por um grupo
De transeuntes.
Quando um barrar
Me deixou
Lavar no banheiro
O vermelho
Rastro,
Fui de taxi.
Até o Jabaquara.
Paguei com cheque
Que voltou por
Assinatura.
Bêbado, ainda
Não sabia
Por que
Apagara.
Absinto?
Cerveja?
Ou o “Boa noite,
Cinderela!”
Lançado em minha
Long Neck?
A carteira encontrada
Em Itaquera,
Não resolve esta
Questão.
Após o susto,
Pondero.
Foi a noite mais real
Dos últimos anos.
O Carnaval
Lavado de sangue.
A alma lavada
De risos.
Amanhã,
Estou bem
De novo.

Lucas Lima