A nostalgia

A nostalgia é um livro amarelado. É um disco velho e seus riscos. É aquela nota fiscal esquecida em um paletó, que te surpreende, quando você descobre que pagava a metade do que paga hoje para estar vivo.
É passar diante de sua antiga casa e lembrar dos sonhos de estar exatamente onde está hoje, e querer voltar para o que tinha, ou, no mínimo, estar em lugar diferente do lugar onde está hoje. É, quase sempre, lembrar que a dor que comprimiu seu peito, tão duramente, passou, mesmo quando você achou que ela não teria fim. Lembrar que, muitas outras dores vieram, e você está aqui, com seus medos, amores, sabores e dissabores. Ah, essa arte de somar fracassos, celebrar o sucesso! Olhando pra trás, quantas emoções fizeram pulsar desordenado o coração dentro do peito…
Lembramos exatamente, quando a vida resolver nos deixar saber calar, quando dói fundo a solidão de estar perdido. Naquelas horas que não vemos mãos prontas a nos prestar socorro, crescemos. E aprendemos, que crescer é dolorido por demais.
Os grilhões que tantas marcas deixaram, hoje roubam um riso tímido, e você sabe que muito mais virá. Sabe-se mais forte. Você às vezes lembra que nem sempre foram lutas. Você também sorriu, você também flertou, cantou e comemorou. Que vontade de abraçar de novo o pai que lhe apoiava, e a mãe que te acolhia! De voltar à brincadeira com os irmãos e amigos de toda a vida.
Como era bom correr na rua sem saber do amanhã. Sem saber sequer sobre ser mortal. Contemplo hoje o ontem, que quanto mais longe, mais belo fica. Nostalgico, o vejo melhor do que o que vivo.
Um suspiro, e, novamente é hoje. E eu sigo buscando abrigo.
 
Lucas Lima