O Mudo

O mundo que dói nela
Dói também em mim.
Eu que aprendi a normalizar
O que via para calar
O meu sofrido choro,
Voltei a olhar o grande absurdo
Quando ela começou a ver
O quanto ainda temos a crescer.
Eu fingi não ver os crimes
Eu fingi não ver a indecência
Eu fingi não ver o mal
Eu fingi não ver a incoerência .
Em nome de me manter aqui
Em nome de me manter bem
Em nome de conseguir sorrir
Em nome de ir um pouco além.
Mas a vida me agride
Mas a vida me assusta
Mas a vida pede um revide
Mas a vida tanto me custa.
Que pouco me resta
Que pouco me vale
Que pouco eu perco
Que pouco eu sou
Para me manter cego
Para me manter calado
Para me manter surdo
Pra me manter incólume.
Ela me mostra o mal
Ela me mostra o medo
Ela me mostra o amargo
Ela me mostra o fel.
Resta-me ver
Resta-me ouvir
Resta -me amar
Resta -me agir.
Que meus dias
Sejam de luta
Mesmo com sangue
Mesmo com dor
Mesmo com marcas
Mesmo com perdas.

Ela me ensina…

Lucas Lima