O Vento

Eu acredito
Que um vento forte
Vá varrer toda a carniça
E a podridão exposta
Nas bocas das cadelas
Que desejam sangue
Mas não sem antes
Acentuar o cheiro
Dessa ocre e plúmbea
Massa
Que se confunde entre
A merda e a lama
Que são cadáveres
Que nos ofendem
E se vingam ao morrer.
Eu acredito
No arco íris
e na luz do amanha
A devassar a escuridão
Que mata Andersons
Evaldos, Lucianos e Marielles
Que mata o sonho de um país
Melhor.
Acredito, mas não sei até
Quantos tiros sou capaz
De seguir crendo

Lucas Lima