Bocas nojentas

Vórtices para o inferno
Roubaram-me a fé no futuro
Feras raivosas, enrustidas
Em seus sonhos sodomizados
Lançam sobre nossas vidas
Fardos incomensuráveis.
Filhos da puta todos!
Se justiça houvesse.
Mal pisariam no Planalto.
Quiçá, para contemplar
O raiar de um novo dia
Onde, escarlate,
O Sol terrivelmente laico
Vergastaria todas as reentrâncias
De obscuridade.
Bocas nojentas, que propagam impropérios
Tenham de mim anátema
Que se lancem para o inferno
Do qual vieram.
Vociferem a sua bestialidade
Longe dos filhos dessa terra.
Que, embora tolos,
De tão surrados, não merecem
Essa atroz ignomínia.
Porcos! Vômito ante seus toscos
Costumes.
Que a história lembre de vós,
Pela vileza, que lhes é peculiar.
Que se faça justiça à sua trajetória.
Eis a minha oração e desabafo.

Que assim seja.

(Lucas Lima)