Consolo

Nego a mim mesmo
A palavra de consolo
Que espero.
Vergasto-me
Desnecessariamente,
Pois assim já faz
A vida.
Bebo muito pouco
Choro quase raro
Sofro incessantemente.
Vil existência
Recheada de infortúnios!
Rechaço seus deleites tolos.
Sei que queres seduzir-me
Para me cravar a foice fundo.
Invariavelmente,
Os mimos e carícias
São seguidos de açoite
E toda a sorte de abusos.
Almas calculadamente piedosas
Fingem porcamente
Compaixão e apreço.
Irritam-me os que caçoam,
Mas o que tenho deles
É o que vejo verdadeiro.
Antes o escárnio e o ódio desvelado
Que a pérfida bonomia.
Leve para o quinto dos infernos
A doce traição do seu sorriso.
Deixa-me quieto e confuso.
É o único estado possível nestes dias.

Lucas Lima