Soneto da morte

Filho bastardo de um mundo árido
Me tornei, infelizmente, um ser deserto.
Apresentei-me impávido, porém pálido
À morte que me veio e fez-me o certo.

Não te assustes: a parca me fez forte!
Eu a vivi serenamente, e digo
Que do aresto inclemente da minha sorte
Não foi na vida que encontrei abrigo!

Não deixe que o peso da pena te esmoreça
Nem que a cilada da palavra te enforque
Nada há na vida que um dia não pereça.

Aceita o jugo que te cabe sem murmúrio
A veste que carrega é deveras tênue
O ocaso do teu vôo é meu augúrio.

Lucas Lima